O varejo foi um dos setores que mais sofreu com os efeitos da pandemia em 2020. Exceto os estabelecimentos qualificados como serviços essenciais pelo governo, os demais tiveram que passar longos períodos com as portas fechadas no ano passado. O varejo esteve diante do desafio da adaptação rápida, migrando as vendas para soluções online e delivery. Repensar seus modelos de atendimento e canais é algo que já vinha acontecendo por conta da mudança do comportamento do consumidor e foi intensificado pela crise. Ainda que isso estivesse na mente dos empresários varejistas, muitos foram pegos de surpresa sem nenhuma estrutura encaminhada. “O varejo teve que se reinventar, criando novas formas de vender seus produtos do dia para a noite”, relembra Mariana Bento, Gerente de Recrutamento para Varejo, Marketing e Digital na Michael Page. Neste artigo, ela indica os desafios para este ano, o perfil do profissional desejado, cargos e posições em alta.

O profissional do varejo em 2021

Se os consumidores estão mais informados, conscientes e exigentes porque pesquisam, trocam experiências sobre os produtos e influenciam uns aos outros, os profissionais do varejo precisam estar ainda mais informados sobre o produto que comercializam, precisam dominar o setor em que atuam, conhecer a oferta dos concorrentes e saber aliar um serviço de excelência à venda de produtos. Diante disso, os profissionais mais buscados pelos varejistas são aqueles que possuem as habilidades necessárias para oferecer esse tipo de experiência ao cliente, levando-o à fidelização.

Nos processos seletivos, são analisadas as habilidades do candidato em relação a pensamento estratégico, adaptação à mudança e criatividade para novas ideias. “O profissional que tiver um bom caso de sucesso para contar de 2020 vai se destacar. É importante que ele traga para a entrevista algo novo que conseguiu implantar, que fez diferença para o negócio e trouxe resultado”, destaca Mariana. Na gestão por resultado, procura-se candidatos com perfil analítico e que tenham trabalhado em ambientes de omnicanalidade preferencialmente.

Apesar de o varejo ter sofrido muito impacto na crise, também passou por movimentos aquecidos de IPO e aquisições de empresas, como Arezzo, Grupo Soma, Pagmenos, Track&Field, Tok&Stok e Petz. "A empresa que compra outra está avaliando quem são os heads das áreas. Nessa hora, há uma exigência fortíssima de qualificação para ficarem os melhores profissionais. O momento de preparação para um IPO rende contratações interessantes nas áreas de marketing, comercial, operações e PDV”, conta Mariana.

Para os profissionais que estavam ou ficaram desempregados em 2020, Mariana recomenda que invistam no networking e criem um plano de ação para a recolocação. “Faça um mapeamento das potenciais empresas baseadas no seu perfil. Depois, fale para os profissionais e headhunters que você conhece o que está buscando e onde quer trabalhar”, explica.

Os desafios que permanecem em 2021

Até o momento em que este artigo foi publicado, a pandemia do covid-19 ainda não acabou. Por isso, a cada mês novas medidas locais estão sendo tomadas, planos do governo implantados para abrir e fechar o comércio a depender da curva de contaminação. Diante da incerteza e da vulnerabilidade do varejo por decisões externas, é preciso atuar com as melhores capacidades para o presente e apostar na omnicanalidade.

Os consumidores têm buscado mais praticidade, conveniência e funcionalidades para a escolha de produtos e serviços. A omnicanalidade está baseada justamente no complemento da experiência do consumidor na loja física e na loja virtual, colocando-o no centro da jornada de consumo em que ele vai comprar o produto da maneira que melhor atendê-lo. Há cada vez mais modelos de lojas apoiadas na ideia de experimente no espaço físico e compre na loja online, por exemplo.

"A inovação é uma consequência do comportamento do consumidor quando você olha para a jornada dele”, Rony Meisler, CEO do Grupo Reserva, em webinar a convite do PageGroup.

Conforme estudo do PageGroup, 95% dos RHs dos principais varejistas estão discutindo a ressignificação das lojas e a forma de consumo pós-pandemia, 70% deles acreditam que precisarão reforçar suas áreas de Digital e E-Commerce com bons profissionais quando tudo retomar e é muito relevante que o profissional já venha com experiência prévia na integração de canais online e offline. A retomada econômica ainda impactará o consumo do brasileiro no futuro próximo e, por isso, é importante estar entre as marcas escolhidas por ele.

"As marcas que conseguirem entregar valor nesse momento serão aquelas lembradas pelo consumidor no futuro”, Flavia Gemignani, Diretora do Boston Consulting Group, em webinar a convite do PageGroup.

Cargos e setores em alta

Com a retomada da economia, começam a surgir vagas para a área comercial, pensando em impulsionar vendas. E-commerce também está em alta. Para ambas demandas, são mais buscadas posições de gerência e diretoria para liderar a operação e incorporar estratégia. Em contrapartida, no caso dos varejistas de bens essenciais ao consumo da população, as posições de operação foram mais demandadas. Estão em alta o varejo de pets, home decor e drogarias.

Remuneração e benefícios

Além da proposta salarial competitiva e os benefícios usuais, as empresas têm oferecido bonificações por resultado e participação nas ações. Como o varejo está muito ligado às lojas físicas, o modelo de trabalho remoto em alguns dias da semana varia de empresa para empresa, mas é aposta para 2021.

*Esse artigo faz parte da série "Perspectivas para o mercado de trabalho em 2021”. Acesse os demais artigos.