O estresse no dia a dia do trabalho possui algumas faces que, muitas vezes, não são consideradas ou olhadas com cuidado e de maneiras distintas. Uma destas faces é o estresse sofrido pelos líderes de uma empresa. Será que as organizações têm cuidado desse problema?

Pesquisas recentes, divulgadas por vários institutos que tratam de doenças psíquicas, revelam que as pessoas com mais propensão ao desenvolvimento de síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout são líderes em suas equipes.

Segundo dados dos centros de Nascia, uma rede espanhola multidisciplinar de especialistas em tratamentos de estresse e feedbacks, 6 em cada 10 casos de síndrome de esgotamento profissional afetam estes profissionais responsáveis por projetos ou pessoas nas empresas.

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Como devemos lidar com esse transtorno? O que as organizações podem desenvolver para evitar o mal do século XXI em seus escritórios? É o que veremos a seguir.

Quais são os sintomas da síndrome de burnout ou esgotamento profissional?

Um simples e corriqueiro estresse pode, muitas vezes, desencadear algo mais grave. Às vezes, não nos damos conta do que pode estar acontecendo ao nosso corpo e mente.

A síndrome de burnout ou esgotamento profissional tem como principal sintoma a sensação de esgotamento físico e/ou mental, refletindo em vários outros sintomas secundários como agressividade, isolamento, mudanças de humor constantes e irritabilidade, além de ansiedade, lapsos de memória, pessimismo e baixa autoestima.

Se não levada em consideração a tempo, pode resultar em depressão, transtorno de ansiedade e síndrome do pânico. O diagnóstico deve ser feito por um médico psiquiatra, observando o histórico do paciente e seu ambiente de trabalho atual.

Para o tratamento, o mais indicado é a psicoterapia e o uso de antidepressivos, combinados com atividade física regular e um momento de descanso, de relaxamento. Ou seja, um momento para o profissional estressado recarregar energias e conseguir se manter saudável mentalmente.

O estresse da liderança

Ser um líder implica em uma série de aprendizados que são bastante positivos para o desenvolvimento profissional e pessoal do trabalhador. No entanto, existe muita carga de responsabilidade no seu escopo diário de trabalho.

Tudo isso, aliado a um possível ambiente hostil, podem trazer consequências negativas. Solidão, sentimento de culpa e carga elevada de tarefas são somente alguns dos desencadeadores do estresse.

Em momentos cruciais, quando situações estressantes acabam sendo crônicas, esse transtorno poderá se tornar um limite de performance para o profissional. Toda a eficiência, a inovação e o seu desenvolvimento podem ser prejudicados neste momento.

Como as organizações devem lidar com o estresse de seus colaboradores?

Existe uma linha bem tênue e direta entre estresse no trabalho e produtividade. O funcionário, por um lado, deve se precaver e zelar por sua saúde. Já a empresa, em contrapartida, tem que identificar as situações que podem gerar incômodos futuros e cuidar de seu maior capital: as pessoas.

As companhias devem ter em seus quadros efetivos pessoas capacitadas para perceberem e combaterem os graves problemas que o estresse pode trazer, não só para os colaboradores, como também para a empresa.

Portanto, devem adotar medidas para reduzir ou, preferencialmente, eliminar situações geradoras de conflitos – sejam internas ou externas. Destacam-se as seguintes ações:

- perceber as necessidades e problemas dos colaboradores, dentro e fora da empresa;

- orientá-los sobre a necessidade de um ambiente agradável de trabalho;

- sempre acompanhar e aconselhar os colaboradores;

- não julgar e ser pacífico;

- integrar práticas de segurança, higiene e saúde no trabalho;

- proporcionar apoio psicológico quando possível;

- estabelecer metas e gestão de tempo adequadas ao escopo do colaborador;

- criar e divulgar, dentro da empresa, planos de ação para o combate do estresse;

- realizar feedbacks constantes e eficazes;

- zelar por uma boa convivência, com respeito e igualdade.

Além das ações citadas, é muito interessante dar voz a todos do time. Para isso, a avaliação 360° funciona muito bem.

Neste modelo, os líderes não têm só de responder aos seus gestores mas também à sua equipe e aos seus pares – o que gera uma aproximação, uma ideia de igualdade e ressalta bons exemplos.

Como combater o estresse no trabalho?

Exercícios físicos regulares, sessões de conversa entre o time e levar uma vida mais tranquila no ambiente corporativo são umas das principais maneiras de combater o estresse. Também é válido lembrar de cumprir horários, ter uma rotina mais definida e parar durante algumas vezes ao dia para, simplesmente, respirar.

Ter uma atitude positiva e uma visão otimista dos objetivos que, como líder de pessoas, você deve transmitir para a equipe também é uma maneira de evitar um sacrifício. Compartilhar o fardo do trabalho e mostrar seu empenho de maneira positiva pode contaminar, positivamente, o restante da equipe.

Quer saber como identificar se o colaborador está desmotivado?

Por fim, pergunte como as pessoas estão e como elas se sentem no trabalho. É importante saber como seus colegas lidam com os desafios do dia a dia e te ajudará a não se sentir sozinho no meio de um turbilhão de e-mails, tarefas, projetos etc.

E não se esqueça! Combater o estresse corporativo é a maneira mais eficaz para evitar futuras doenças como a depressão ou o esgotamento profissional, por exemplo – doenças muito mais sérias e que merecem atenção especial, conforme falamos acima.

Caso sinta a necessidade, procure um especialista. Ajuda nunca é demais, não é mesmo?